Ontem tive o prazer de poder presenciar o 10º Encontro Locaweb de Profissionais de Internet em Porto Alegre.
Claro que não poderia deixar de expor minha opinião sobre a organização do evento, as palestras, as pessoas, e também não poderia deixar de postar algumas fotos.
Organização

Ótima. A começar pela localização do evento. Eu sou de São Sebastião do Caí, que fica a cerca de 60km da capital. Tive que pegar ônibus e, por não conhecer bem Porto Alegre, provavelmente nem teria ido se a localização do evento fosse muito longe da estação rodoviária.
O evento foi no Centro de Convenções São Rafael, há cerca de 5 quarteirões da estação rodoviária. Ou seja, uma maravilha para quem, como eu, teve que pegar ônibus para ir até POA prestigiar o evento.
Palestras
9:00 am - A primeira palestra do dia, entitulada “Tendências do Mercado de Internet”, e apresentada por Gilberto Mautner (presidente da Locaweb), foi muito boa. Entre os temas abordados ele falou sobre o crescimento e a importância do opensource para quem trabalha com internet atualmente, citando exemplos como Joomla, Drupal, Ringside. Após falar sobre aplicações opensource, ele citou iniciativas de grandes empresas, como a do CodePlex (da Microsoft), para se aproximarem da abordagem opensource.
Ainda na sua palestra, ele falou sobre APIs, o que são, quais suas utilidades, citando ótimos exemplos como Facebook, openID, entre outros (ele não incluiu a API do Google Maps na sua listagem pois, segundo ele, todos utilizam este exemplo e ele queria ser diferente).
Após isso ele falou sobre Cloud Computing, que (ao menos no meu entendimento) deverá interessar mais pessoas ligadas à servidores.
Seguindo sua palestra, citou um ponto muito importante no desenvolvimento web atual: A web é multimodal; citando exemplos de gadgets que acessam a internet, como iPhones, videogames, etc.
Para finalizar, ele falou um pouco sobre Desenvolvimento Ágil e, mesmo sem citar o termo, falou sobre algumas características da Programação Pragmática.
Após isso, deu uma bela demonstração de Ruby On Rails, mesmo com o telão do ELPI apagando a cada 15 segundos (foi engraçado para quem estava na platéia, mas acho que não para ele).
10:10 am - Após esta primeira palestra, tivemos um Coffee Break, com uns petiscos maravilhosos, café, coca-cola, iogurte, suco, entre outras coisas deliciosas que nem vou citar aqui senão acabo ficando com água na boca.

10:30 am - Voltamos para o auditório, onde tivemos cerca de 5 minutos de papo do pessoal da Microsoft (provavelmente por eles estarem patrocinando o evento). O executivo da Microsoft (o qual infelizmente não me recordo o nome) falou sobre as (supostas) intenções da Microsoft de se tornar mais aberta. Logo quando subiu no palco, fez a seguinte indagação: “O que vem na cabeça de vocês quando se fala em Microsoft” e uma certa pessoa da platéia gritou para todos ouvirem “Tela azul”. O executivo ficou um pouco sem jeito, deu uma risada amarela, e disse que eles “estavam trabalhando para resolver este probleminha”.
10:40 am - Neste momento tivemos a palestra “Produtividade: Padrões web, frameworks, jQuery, controle de versão e outras ferramentas” com o Elcio Ferreira, que já deve ser conhecido de vocês. Ele começou com sua clássica frase “Vida longa e próspera” (que, diga-se de passagem, foi a frase que me fez ganhar uma entrada para o ELPI no desafio que eles fizeram no Tableless; aliás, eu não ganhei o notebook que foi sorteado no final do ELPI, então não preciso pagar um almoço pro Elcio :P).

O Elcio começou falando sobre o real papel do programador. “O programador não é pago para escrever código, o programador é pago para resolver problemas” disse ele. Após introduzir o real papel do programador, passou por pontos como Padrões Web e controle de versão, mostrando ferramentas muito boas para auxiliar no controle de versão (svn, trac, etc).
Ele deu uma demonstração muito legal de jQuery (que eu já uso e recomendo inclusive), montando lá ao vivo e a cores um menu em árvore que, se não me engano, não levou mais de 5 minutos para ser realizado.
Falando mais sobre produtividade e o papel do programador, citou pontos básicos e que parecem bestas, mas que na realidade são muito importantes para todo o bom programador: backup, digitação, e também editor de código, que, segundo ele, precisa ter (entre outros recursos) find & replace com expressões regulares, snippets… também citou o fato de ele usar VI, e disse que não iria recomendar o VI para todo mundo porque ele é realmente difícil de aprender (embora seja muito bom depois que se aprende).

Seguindo o papo de produtividade, mostrou o conceito de TDD (desenvolvimento guiado por testes), dando uma demonstração da técnica montando uma função para validar e-mails que não era perfeito nem nunca ia ser - aqui ocorreu o momento mais engraçado de todo o ELPI, que não tenho como reproduzir, só quem estava lá entenderia, só posso dizer que eu e todos ao meu redor choraram de rir - e citando as vantagens que o TDD traz, principalmente na questão qualidade de código.
Pessoalmente achei a melhor palestra do evento, e a julgar pela atenção e envolvimento do público em geral, não fui só eu que tive essa opinião. Inclusive meu amigo Mailon que estava ao meu lado no auditório teve a mesma opinião.
12:00 am - Foi a hora da palestra da Microsoft, entitulada “O fator ‘UAU’”. O palestrante começou falando de comunidade, passando por assuntos tais como experiência do usuário. Me pareceu que o palestrante tentou passar a idéia de que uma aplicação é boa quando o usuário vê/usa e diz “UAU”.

Ficou a palestra inteira batendo na mesma tecla de que a Microsoft está tentando se tornar mais próxima do opensource. No entanto, temos algumas discrepâncias, pois parte da “filosofia” do software livre é aquela de que o mesmo direito que você tem de usar uma coisa, você tem de não usar. Mas vem ele e me fala em Microsoft Visual Studio Express, Microsoft Blender, Microsoft isso, Microsoft aquilo, todos ferramentas que têm versões gratuitas, mas, me perdoem se eu estiver errado, são NECESSÁRIAS para se desenvolver na plataforma que eles estão propondo. Para mim, no momento em que você é dependente de uma ferramenta para fazer seu trabalho, você não é livre.
Outra visão distorcida que na minha visão ele tentou passar, é de que produtividade é fazer as coisas arrastando e soltado, e clickando em botões. Citou também o fato da plataforma deles ser compilada e não interpretada, segundo ele trazendo mais performance em tempo de execução. No entanto, o PC dele deu umas boas escorregadas e demorou um bocado para compilar alguns exemplos simples que ele fez (nenhum ao vivo, ele já levou tudo pré-pronto), uma dúvida minha que ficou no ar é como fica isso numa aplicação grande, será que é preciso esperar que o compilador compile toda a aplicação pra depois poder testá-la?
Agora começa a parte da palestra que eu menos gostei. Ele mostrou o tal do Silverlight que parece muito interessante, mas que, creio eu, não tem nenhuma grande vantagem sobre o Flash da Adobe.
Depois disso, citou a relação Designer x Programador, usando um exemplo muito divertido, em que ele mostrava a foto de um ovo como sendo um projeto do designer, depois a foto de um ovo todo quebrado como sendo o design após passar pelas mãos do programador e, por final, a foto de um ovo todo remendado como sendo o projeto final. O problema foi a solução que ele apresentou para isso: um tal de XAML, que ele citou como sendo uma “revolucionária linguagem que está aí para servir programadores e designers”, mas peraí, já não temos os Padrões Web resolvendo este problema? Pra que mais uma tecnologia pra fazer a mesma coisa?
Foi a palestra que eu menos gostei, não por ser da Microsoft, mas porque apresentou aquela característica que todos conhecemos da Microsoft, de em vez de usar tecnologias e padrões que já existem, criar os seus próprios, causando uma confusão no mercado (basicamente o que já aconteceu e continua acontecendo com o Internet Explorer). Foi a única palestra, aliás, em que vi muita gente levantando e saindo do auditório.
02:05 pm - Após o almoço, foi a vez da Google. O palestrante começou falando sobre a história da empresa e a meta que eles pretendem cumprir (mesmo sendo impossível, segundo ele): “Organizar toda a informação do mundo” (olha a história da que a Google iria dominar o mundo). Falou também que eles querem tornar toda a informação acessível de facilmente.

Depois disso ele citou três ferramentas do Google para auxiliar no marketing na internet: Google Adsense, Google Adwords e Google Analytics.
Aqui vai um ponto interessante, perguntado por uma pessoa da platéia sobre o porquê de a Google manter dois sites de vídeos (Google Video e YouTube) ele deu a entender, pelo menos na minha concepção, de que o Google Video será descontinuado, dizendo que o YouTube deu mais certo e que é no que eles estão trabalhando agora, e que deverá continuar (talvez tenha faltado um complemento na frase dele, mas do jeito que foi dito…).
Foi uma palestra muito interessante, e muito útil inclusive, pois foram apresentados muitos produtos e serviços que a Google oferece para divulgação de sites.
03:08 pm - Hora da palestra do Gil Giardelli, entitulada “WWW x WWD - A internet inteligente”. Ele falou basicamente sobre coisas tradicionais (tv, rádio, etc) que estão sendo reinventadas na internet, citando muitos exemplos.
Uma frase muito interessante que ele falou foi “Tudo que é sólido, desmancha na rede”. Ele citou a evolução constante do mercado, o crescimento das Startups, e também o que ele chamou de “Caos 2.0″.
Também falou sobre os 4 C’s: Colaboração, comunidade, conteúdo e comércio.

Foi a palestra que me fez pensar mais, pois ele apresentou visões de passado/presente e futuro, questionamentos muito interessantes. Foi também uma palestra muito divertida que nos fez rir bastante.
04:20 pm - Hora do coffee break da tarde, tão bom quanto o da manhã.
04:50 pm - Foi a vez do Cesar Pazi falar sobre “Novas plataformas para um novo marketing”. Ele é presidente da AG2 e falou sobre alguns assuntos que nós falamos na nossa entrevista com Marco Gomes (diretor de tecnologia da Boo-box).
Entre os assuntos estiveram empreendedorismo (que ele diz ser entusiasta), e também a questão da irrelevância da publicidade (publicidade-lixo), onde ele usou uma foto com um caminhão cheio de abóboras para exemplificar: como todas as abóboras são iguais, nenhuma se destaca, logo todas são irrelevantes.
Falou também que as campanhas de marketing na web devem ser “webnative”, ou seja, planejadas e executadas para o ambiente da web, e não iguais às que vemos na TV, no jornal ou no rádio.
Ele citou pontos muito importantes como sendo boas idéias para um bom marketing webnative: Inovação, individualidade, interatividade, colaboração e mobilidade. Mostrando exemplos de grandes empresas como C&A e Master Card.
Conclusão e visão geral do evento
Não me arrependi nem um pouco de ter comparecido, foi um evento muito legal que realmente quem tem oportunidade de ir deve ir, tanto pelas palestras quanto pelo networking.
Parabéns aos palestrantes e ao pessoal da Locaweb pela organização exemplar.

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